Quinta, feira, 25 de Junho, Lisboa. Tive de vir aqui. Problemas, melhor assuntos, que só na capital consigo resolver. Já cá estou desde segunda-feira. Fora os meus assuntos, não saio de casa. O que observo da janela ou nas escassas deslocações de automóvel não augura nada de bom. A minha rua tem vários restaurantes e cafés. Durante o dia, mormente à hora de almoço, é um regabofe. Máscaras? Parece uma coisa do passado, devo ser eu e um ou outro estarola, o resto da malta está a deixar a máscara em casa. Distanciamento social nos cafés? Não me façam rir, os autóctones vão socializar para os cafés e distanciamento social, pois sim, também não existe, parece que não conseguem falar sem ser em cima uns dos outros. Eu não entro num café desde meados de Fevereiro. E antes desta merda era homenzinho para todos os dias tomar café fora de casa. Agora não. E depois, depois há mais, há lojas de roupa, há mercearias, há papelarias e mais não sei o quê. Não é que seja tudo ao molhe e fé em deus, como dantes, mas não se anda longe. Em suma, a malta não está a cumprir e não há fiscalização, não existe. Vai dar merda. É certinho. Não tarda muito vou para cima outra vez mas, então, terei de receber "turistas". Os meus protocolos estão estudados e definidos e pretendo mantê-los rígidos. Não vou ter contacto pessoal com os clientes, ainda assim, depois a higienização e a limpeza é que vai ser o belo e o bonito. Fazer o quê? Estou, em larga medida, como o Nunes do café em frente: tenho de estar de portas abertas, com o prejuízo que já tive, tenho de arriscar, ninguém vive do ar e dizem que até existe uma coisa totalmente artificial chamada dinheiro.
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