Thursday, April 30, 2020

Sobre o tal e o tal


Não parece que foi ontem que estávamos no elevador da gloria a ouvir Radio macau e a sonhar com a cidade fantasma?

Hoje, de Berlin a Chicago, Istanbul a Ulaanbaatar, De Beijing a Moscovo

E até mesmo mais ao sul, De Addis Ababa a Brazilia- São quase todas, sem excepção- Cidades Fantasma.

Dizem-nos, ou se não dos dizem, deixam bem explicito que é tudo temporário. Um mero precalço na autoestrada veloz para um Armageddon ecologico que já não se demorava muito mas que por um breve momento ficou adiado.Não acho que vá ser bem assim.

Não sou daqueles que só veem o impossivel em tudo e nunca se desafiam; muito pelo contrário. Acho, não- sei, que é possível ter uma retomada rápida, basta ver o interessante caso da Coreia do Sul sem caso novos , a maneira como pais agiu em relação à crise do coronavirus, com precisão cirurgica, timing perfeito e apoiado em ciencia e não ideologia. Claro que isso envolveu um outcry da empresa estrangeira, tanto de esquerda como de direita como sendo um abuso do estado, um atentado à privacidade do individuo. Bom, deixo para outro dia a conversa sobre isso.

Claro que é possivel. O que acontece é que com rarissimas excepções, os paises não se conseguem unir e organisar de forma sistematica. É por isso que não acredito que isto logo vai passar ou que é só fazer um lockdownzinho que tudo volta logo ao norma. Não.

Para já é o que nos vendem, e pelo menos aqui ainda estão a ajudar a população com creditos e pagando 80% dos salarios de empregados temporariamente afastados.

A premissa do lockdown, é portanto engraçada- Aguentamos o rojão por 3 meses que isto depois vai passar mas é impossivel que "deep-down" eles não tenham consciencia que tudo vai mudar e este será de facto conhecido como 2020, o Ano do Covid.

Abrir a economia, sem um conserto pelo menos a nível Europeu de protocolos de controle comuns para toda a Europa,vai ser um caos.

O que eu vou ficar, bem sentado a observar, é o que é que os governos vão fazer quando passarem, 3-6 meses ou até um ano, com uma economia em depressão. Sabemos o que aconteceu na Grande Depressão. Tambem sabemos do New Deal do Rooselvelt. Nesta corrida contra o tempo haverá dois vencedores- Os paises que como a Coreia conseguiram controlar a epidemia de modo consistente e duraroiro e os paises que conseguirem organisar os seus meios de produção à volta da existencia a longo prazo do Coronavirus na comunidade.

Time will tell.


Life as is

We're leaving, today. Me, A and Fox. We're moving to the country, if the authorities don't stop us. We will be there by six. We've done everything. Everything, we have been spartan about the whole affair throughout the whole affair. Now, we move to the country. Please, don't stop us. We got 6.000 square meters there, and these are walled. Nobody has been there lately. I pray that we can get there. Until we meet again, Lúcio Ferro signing out.   

Por Portugal e São Jorge



Escrevi, algures nos idos de março, que, mais dia menos dia, o exército teria de sair. Acrescentei que, quando o fizesse, teria de o fazer preparado, teria de sair em último lugar, já com todas as lições aprendidas e totalmente protegido. O exército, como o concebo, é o garante, é a defesa da paz, por paradoxal que a afirmação pareça. São os homens e as mulheres que não brincam em serviço, que servem a Pátria e que, como se viu há 46 anos, se necessário, a defendem de si própria. Pois bem. Discreto, eficaz, o exército tem saído. E é tudo.    

Covid do dia


"The best way to predict the future is to create it."

Wednesday, April 29, 2020

Democrático mas é o caralho



Fartar-me-ia de rir, se não fosse trágico, quando passo por alguns "fazedores de opinião", que me afiançam que a doença é democrática: o covid é a coisa mais democrática do mundo. São trumpistas em potência e não ando com muita vontade de rir das asneiras de filhos da puta. Ai, mas que sim, que morre o rico, morre o pobre, morre a mulher, morre o homem, morre o velho, morre o novo, morre o que fuma, morre o que não fuma, estamos todos no mesmo barco. No mesmo barco é mas é o caralho. No mesmo barco ide com os porcos para uma ilha deserta, aproveitem e levem as bolsas e a especulação e os futures e os derivados e os offshores e a puta que vos pariu. Não estamos nada no mesmo barco, vão lá dizer essa merda aos favelados, aos que não têm para comer, aos que não têm educação ou informação para se defenderem, ou sequer espaço, porque o partilham com 10, 20 ou mais pessoas, ou saneamento básico, ou emprego, ou o caralho que os foda a todos. Democrático é a cona da vossa prima, como já dizia o outro que, entretanto, sanearam, espalhando mentiras, falsidades, atrás de falsidades, com a ajuda conveniente desta comunicação social “democrática”, paga pelos "democráticos" ou melhor ainda, pluralista dentro da narrativa única, para gaudio do pagode, basta ligar a Fox News e ver para crer o quão democrático o covid é. Puta que os pariu. Qual democracia, quando os panascas que contam e que mandam o que querem é abrir, abrir, abrir, salvar a economia, salvar a economia, crescimento, crescimento, dizem, refastelados, bem nutridos e fazem esta merda por Skype ou por Messenger,  tens de trabalhar mais, receber menos e se fores com o covid é a vida; claro, pois gostam muito, muito de democracia, mas isso é bom para os outros, para os que recolhem lixo, para os que vão para os hospitais, para os que têm de se meter ao caminho, para todos os que são forçados, friso são forçados, a correr riscos, para os pretos em áfrica, com a minúsculo, áfrica boa para sacar, petróleo em barda, diamantes, madeiras, exóticas, montes de merdas, porque para os defensores da dita “democracia” o melhor é estar na retaguarda, o melhor é recolher os dividendos, o melhor é abrir o futebol, pôr o porco do CR7, esse bandalho ou fantoche, já nem sei, a render aos milhões atrás de milhões, porque os “eleitores”, o que precisam, é de pontapé na bola, e de camisolas, de consolas, de merchandising, de comunicação social que os bombardeie com o sonho americano e o caralho a quatro embrulhado num poster que um puto parvo qualquer pendura no seu humilde tugúrio algures na Indonésia: “I love Cristiano Ronaldo, when I grow up I whant, assim mesmo, mal escrito porque não tem escola, não tem educação e o pai arreia na mãe, I whant to to be like him”. E sorrimos, nós os palhaços europeus que igualmente idolatramos os ronaldos de merda que nos vendem pela tv e pela net, e nas manhãs das rádios da moda, confortáveis, que bom, que democrático. Democrático é meter a autoeuropa a bulir, claro, a malta precisa de carros, de suvs, de descapotáveis, a gasóleo ou a gasolina, pouco importa, e o planeta que vá bardamerda, que é que é essa merda da Natureza? Que se foda a Natureza, que se fodam as renováveis, são caras e é tudo uma merda que não produz, eis a palavra mágica, que não produz "democracia”. É preciso ser democrático. É preciso a ryanair a bombar às paletes ou então os estados que salvem a ryanair e todas as outras, dos aviões às petrolíferas, das petrolíferas às carboníferas, das carboníferas às que escondem os impostos para a holanda, das que escondem para a holanda ás que produzem telefones maçã à velocidade da luz, que merda vem a ser essa dos verdadeiros democráticos serem privados dos dividendos? Hum? Foda-se, os dividendos, os dividendos, os hedge funds, os lucros, os lucros do iphone 2020, do g4, do g5, do g6, que merda é esta de privar a democracia de tudo isso? Ora, pá, razão tinha o Zé Mário, pó caralho com a vossa democracia, não fosse os chineses censurarem este e outros textos, vos garanto que, de longe, but by far, preferiria ser chinês, mil vezes uma economia planificada, mil vezes uma economia justa, mil vezes uma economia ecológica, mil vezes esses bandalhos "democráticos" encostados a uma parede e, depois, a democracia que lhes valhesse, encostados à parede, logo viam o que era bom para a tosse, logo viam o que seria o povo a falar. Mas, é uma ilusão. Vem aí muita merda. Muita. E é uma pena, temos aqui a oportunidade de refazer a sociedade, temos a oportunidade de reconstruir a Igualdade. Sim, a Igualdade, sem ela não há Liberdade. Lembrem-se disto: John Rawls ficou aquém, Amartya Sen aquém ficou, Harold Bloom ninguém sabe quem é, mas também ficou aquém. Puta que pariu, sabem quem os travou? Foram os "democráticos", pois claro.        

Covid do dia



"There is one great thing that you men will all be able to say after this war is over and you are home once again. You may be thankful that twenty years from now when you are sitting by the fireplace with your grandson on your knee and he asks you what you did in the great World War II, you won’t have to cough, shift him to the other knee and say, well, your granddaddy shovelled shit in Louisiana. No, Sir, you can look him straight in the eye and say: son, your granddaddy rode with the great Third Army and a son of a goddamned bitch named Georgie Patton!"

Tuesday, April 28, 2020

Exemplos que nos fazem "posicionar"



(…) Bom, já que chegámos até aqui, faça-me um favor, leia esta frase que escreveu, mas em voz alta. Sim, senhor Lúcio: «Estes são exemplos que nos fazem viver, pois sugerem-nos algo, que nos posicionam a mente, de certa forma limpa, no meio de toda a sujeira.» Não acha que há algo aqui que não bate certo? Senhor Lúcio, então, os exemplos do texto fazem com que a gente, desculpe, com que nós pensemos da forma mais correcta, mais limpa, menos suja! Pois, é mais ou menos isso, mas enfim; e, gramaticalmente, não há nada nesta frase que escreveu que o perturbe?... Tem razão, senhor Lúcio, não há concordância de número... Onde, meu caro, assuma-se como o homenzinho que é e que, se ainda a houver, vai entrar na faculdade com pelo menos 16 valores a Português!... Desculpe, senhor Lúcio, onde é que errei, senhor Lúcio?... Calma, meu rapaz, peço-lhe desculpa, é um erro que todos cometemos, desculpe o facto de, por vezes, ser tão cáustico consigo, é porque deposito imensas esperanças em si, mas tem de seguir os protocolos da linguagem,  da gramática e todos os outros. Continuemos, quero que me diga onde errou. No verbo, senhor Lúcio?... Não lhe vou dizer que sim ou que não. Explique-me, quero a sua explicação para esta burrada. Ó senhor Lúcio, eu acho, senhor Lúcio, que escrevi mal o tempo verbal, é isso? Bom, então, como é que se escreve o tempo verbal de forma correta, meu caro? Escreve-se assim, senhor Lúcio: «Estes são exemplos que nos fazem viver, pois sugerem-nos algo, posicionam-nos a mente, de alguma forma mais limpa, menos suja.» Muito melhor meu rapaz, muito melhor; como estamos de leituras: já leu o «Memorial do Convento»? Não tive tempo, senhor Lúcio, depois destes dias todos fechado a estudar estive com a minha namorada e ela acha que isto das explicações online é perder tempo, desculpe senhor Lúcio. Não teve tempo?!? No meio desta situação gravíssima, não teve tempo mas teve tempo para se pôr a jeito? Andava aos beijinhos, aos beijinhos?!? Senhor Lúcio… Cale-se, meu rapaz, não se enterre mais, queira deus que não tenha feito merda da grossa... Não, senhor Lúcio, não tenho nada e ela também não! Bom, sim, vamos partir do princípio de que sim, sabe quando é o seu exame, não sabe? Sei, o senhor Lúcio já disse-me. Já lhe disse, meu caro, já lhe disse, caramba, deixe-se de merdas, quer ou não entrar na faculdade? Quero, senhor Lúcio! E como é que se se escreve já lhe disse?... Diz-se «já me disse», senhor Lúcio. Muito bem. Aqui lhe envio o seu trabalho de casa. Acha que estou melhor, senhor Lúcio? Depende, essencialmente depende de si e... Tenho uma última pergunta antes de terminarmos a fazer-lhe: ouça lá, gosta da sua namorada?... Gosto, senhor Lúcio! É bonita? Pode falar à vontade, tudo o que aqui fala fica entre nós. É linda, linda demais senhor Lúcio, ela é da Filarmónica, foi Miss lá da terra e tudo e é minha! Tem sorte, tem sorte, mas nunca deixe as mulheres gerirem a sua vida, sim? O que quer dizer com isso, senhor Lúcio? Ouça lá, quando foi a última vez que «posicionou» a «mente» da sua namorada?... Posicionar a mente da minha namorada?, senhor Lúcio, eu não faço isso, não percebo. Você não posiciona mentes?... Não, senhor Lúcio, nem percebo o que isso quer dizer! Nesse caso, diga-me: porque é que escreveu que «estes são exemplos que nos fazem viver, pois sugerem-nos algo, que nos posiciona a mente»? Alguma vez se lembrou de posicionar uma mente que fosse? Como, senhor Lúcio? Responda! Que merdice vem a ser esta?... Está armado em intelectual da treta numa altura destas? Tem razão, senhor Lúcio. Ainda bem que percebe, e.... O que é que vai fazer? Acho que nunca mais vou «posicionar mentes» antes de saber fazê-lo, senhor Lúcio. E.... Que mais? Erros de concordância, senhor Lúcio, nunca mais vou dar erros de concordância. E, que mais? Vou ter cuidado, sempre que estou com outros, com os que gostam de posicionar mentes e todos os outros, tenho de ter mais cuidado. Nem mais, meu rapaz, acertou. Aqui tem um «extra» ao trabalho de casa, 140 palavras sobre como estar só e em simultâneo acompanhado, escreva bem e até à nossa próxima aula. (…)