Fartar-me-ia de rir, se não fosse trágico, quando passo por alguns "fazedores de opinião",
que me afiançam que a doença é democrática: o covid é a coisa mais democrática
do mundo. São trumpistas em potência e não ando com muita vontade de rir das
asneiras de filhos da puta. Ai, mas que sim, que morre o rico, morre o pobre,
morre a mulher, morre o homem, morre o velho, morre o novo, morre o que fuma,
morre o que não fuma, estamos todos no mesmo barco. No mesmo barco é mas é o
caralho. No mesmo barco ide com os porcos para uma ilha deserta, aproveitem e
levem as bolsas e a especulação e os futures e os derivados e os offshores e a
puta que vos pariu. Não estamos nada no mesmo barco, vão lá dizer essa merda
aos favelados, aos que não têm para comer, aos que não têm educação ou
informação para se defenderem, ou sequer espaço, porque o partilham com 10, 20
ou mais pessoas, ou saneamento básico, ou emprego, ou o caralho que os foda a
todos. Democrático é a cona da vossa prima, como já dizia o outro que,
entretanto, sanearam, espalhando mentiras, falsidades, atrás de falsidades, com
a ajuda conveniente desta comunicação social “democrática”, paga pelos
"democráticos" ou melhor ainda, pluralista dentro da narrativa única,
para gaudio do pagode, basta ligar a Fox News e ver para crer o quão
democrático o covid é. Puta que os pariu. Qual democracia, quando os panascas
que contam e que mandam o que querem é abrir, abrir, abrir, salvar a economia,
salvar a economia, crescimento, crescimento, dizem, refastelados, bem nutridos
e fazem esta merda por Skype ou por Messenger,
tens de trabalhar mais, receber menos e se fores com o covid é a vida;
claro, pois gostam muito, muito de democracia, mas isso é bom para os outros,
para os que recolhem lixo, para os que vão para os hospitais, para os que têm
de se meter ao caminho, para todos os que são forçados, friso são forçados, a
correr riscos, para os pretos em áfrica, com a minúsculo, áfrica boa para
sacar, petróleo em barda, diamantes, madeiras, exóticas, montes de merdas,
porque para os defensores da dita “democracia” o melhor é estar na retaguarda,
o melhor é recolher os dividendos, o melhor é abrir o futebol, pôr o porco do
CR7, esse bandalho ou fantoche, já nem sei, a render aos milhões atrás de
milhões, porque os “eleitores”, o que precisam, é de pontapé na bola, e de
camisolas, de consolas, de merchandising, de comunicação social que os
bombardeie com o sonho americano e o caralho a quatro embrulhado num poster que
um puto parvo qualquer pendura no seu humilde tugúrio algures na Indonésia: “I
love Cristiano Ronaldo, when I grow up I whant, assim mesmo, mal escrito porque
não tem escola, não tem educação e o pai arreia na mãe, I whant to to be like
him”. E sorrimos, nós os palhaços europeus que igualmente idolatramos os ronaldos de merda que nos vendem pela tv e pela net, e nas manhãs das rádios da moda, confortáveis, que bom, que
democrático. Democrático é meter a autoeuropa a bulir, claro, a malta precisa
de carros, de suvs, de descapotáveis, a gasóleo ou a gasolina, pouco importa, e
o planeta que vá bardamerda, que é que é essa merda da Natureza? Que se foda a
Natureza, que se fodam as renováveis, são caras e é tudo uma merda que não
produz, eis a palavra mágica, que não produz "democracia”. É preciso ser
democrático. É preciso a ryanair a bombar às paletes ou então os estados que salvem a
ryanair e todas as outras, dos aviões às petrolíferas, das petrolíferas às
carboníferas, das carboníferas às que escondem os impostos para a holanda, das
que escondem para a holanda ás que produzem telefones maçã à velocidade da luz,
que merda vem a ser essa dos verdadeiros democráticos serem privados dos
dividendos? Hum? Foda-se, os dividendos, os dividendos, os hedge funds, os
lucros, os lucros do iphone 2020, do g4, do g5, do g6, que merda é esta de
privar a democracia de tudo isso? Ora, pá, razão tinha o Zé Mário, pó caralho
com a vossa democracia, não fosse os chineses censurarem este e outros textos,
vos garanto que, de longe, but by far, preferiria ser chinês, mil vezes uma
economia planificada, mil vezes uma economia justa, mil vezes uma economia
ecológica, mil vezes esses bandalhos "democráticos" encostados a uma
parede e, depois, a democracia que lhes valhesse, encostados à parede, logo viam
o que era bom para a tosse, logo viam o que seria o povo a falar. Mas, é uma
ilusão. Vem aí muita merda. Muita. E é uma pena, temos aqui a oportunidade de
refazer a sociedade, temos a oportunidade de reconstruir a Igualdade. Sim, a Igualdade, sem ela não há Liberdade. Lembrem-se disto: John Rawls ficou aquém, Amartya Sen aquém ficou, Harold Bloom
ninguém sabe quem é, mas também ficou aquém. Puta que pariu, sabem quem os
travou? Foram os "democráticos", pois claro.

No comments:
Post a Comment