Monday, August 10, 2020

Sobre pesadelos

Quando eu era moço, havia uma coisa chamada guerra fria. Por trás da guerra fria havia uma ameaça terrível que nos era instilada desde meninos pela comunicação social da época: a ameaça de um holocausto nuclear. Ainda muito novinho, assisti a um filme chamado The Day After, um filme gráfico que, ao vivo e a cores, nos mostrava quais as consequências de uma guerra nuclear. Recordo um terrível pesadelo, já quando andava na escola secundária. Sonhei que tinha sido declarada a guerra, que todos os alunos da escola se tinham acolhido ao pavilhão gimnodesportivo. Que, então, caíra primeiro uma bomba nuclear em Espanha, Madrid. Recordo o nosso pânico. Então, explodiu outra em Lisboa, na onda de choque o pavilhão voou. Acordei. Suado. Teria 13 anos. Hoje, também tive um pesadelo. Sonhei que estava em Lisboa, no metro, na estação do oriente, de repente, sem mais. Que ninguém estava a usar máscara, que havia imensas pessoas e que eu me tinha esquecido da minha máscara, que também não tinha máscara. Tentei safar-me da estação, subir à superfície não pela escada rolante, não, sempre encostado à parede, com a cara na parede, sem a tocar e que, quando estava quase, quase à saída, uma multidão de pessoas descia em minha direção, todas sem máscara. Acordei, suado. Tenho 49 anos.  

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