Wednesday, October 16, 2024
Monday, October 14, 2024
Thursday, October 10, 2024
Tuesday, September 15, 2020
Com ou sem covid
É verdade que isto está a apertar e que vai apertar ainda mais. Mas, e depois? Vou deixar de amar porque a gaja que amo costuma ir ter com um grupo de amigos ao café? Vou deixar de estar com os meus amigos porque não respeitam os mesmos protocolos de higienização que eu? Vou fechar a minha atividade económica porque potencialmente envolve risco médio/elevado? Não. Recuso-me a viver no medo. Não me confundam com trumpistas e afins. Tenho, na minha prática diária, um conjunto de protocolos que continuo a seguir à risca. Mas recuso viver numa bolha, recuso-me a não viver.
Sunday, September 13, 2020
Covid's side effect
Estou numa fase engraçada da minha vida. Tenho duas gajas a mandarem-me print screens de excertos de conversas privadas que têm uma com a outra sobre mim.
Sunday, September 6, 2020
Apesar do covid...
Tive melhor sexo na última semana do que nos últimos três anos.
Thursday, August 20, 2020
Estou vivo
Oh yes. I am. I know these are the days. Unheard off. Got to go 100 years back to look for something as deadly as this menace we're facing. Fuckin' pandemic, messing with everything and with everyone. More people will die before there's a cure. Sure, I take precautions, I conduct my business in a bubble. When I go out I don't touch more than necessary and I breathe through a fucking mask, I look like a fuckin' islamic terrorist or worse. You think that's easy? It's not and you know it, because you also do that shit. Fuck sake, it's horrible and it changes everything, fear is all around. Add to equation that you clean every piece of shit that you bring home or you quarantine those pieces of shit/food for days. And that you wash your hands 20 times a day. But fuck it, I'm alive, It's good, and besides, all of us die. Who knows, maybe I'm already dead from lung cancer, I'm a fuckin' heavy smoker. So what? Fuck the pandemic, I'm alive today and that's fine by me. Fuck it.
Monday, August 10, 2020
Sobre pesadelos
Quando eu era moço, havia
uma coisa chamada guerra fria. Por trás da guerra fria havia uma ameaça
terrível que nos era instilada desde meninos pela comunicação social da época:
a ameaça de um holocausto nuclear. Ainda muito novinho, assisti a um filme
chamado The Day After, um filme gráfico que, ao vivo e a cores, nos mostrava
quais as consequências de uma guerra nuclear. Recordo um terrível pesadelo, já
quando andava na escola secundária. Sonhei que tinha sido declarada a guerra,
que todos os alunos da escola se tinham acolhido ao pavilhão gimnodesportivo.
Que, então, caíra primeiro uma bomba nuclear em Espanha, Madrid. Recordo o
nosso pânico. Então, explodiu outra em Lisboa, na onda de choque o pavilhão voou.
Acordei. Suado. Teria 13 anos. Hoje, também tive um pesadelo. Sonhei que estava
em Lisboa, no metro, na estação do oriente, de repente, sem mais. Que ninguém
estava a usar máscara, que havia imensas pessoas e que eu me tinha esquecido da
minha máscara, que também não tinha máscara. Tentei safar-me da estação, subir
à superfície não pela escada rolante, não, sempre encostado à parede, com a
cara na parede, sem a tocar e que, quando estava quase, quase à saída, uma multidão de
pessoas descia em minha direção, todas sem máscara. Acordei, suado. Tenho 49
anos.
Wednesday, July 15, 2020
À distância dum clique?
Já repararam bem nas
implicações culturais desta doença? Já repararam que é pior do que foi a SIDA na
década de 1980? Eu passei por isso, pela década de 1980, e lembro-me bem do que
a SIDA fez às relações românticas, da força que deu aos puritanismos sexuais e
do impacto que isso teve na vida sexual de milhões de jovens, eu próprio incluído.
Mas isto é pior. A covid está muito para lá de se ir para a cama com outra ou mais
pessoas. A promiscuidade redefine-se agora ao se atingir um novo patamar de risco. Agora
não se trata de ir para a cama com A ou com B ou ambos. Esta doença afasta-nos de tudo e
de todos. Dos que nos são mais próximos e dos outros, dos quais no novo normal regra geral fugimos. Em última
análise, a covid representará uma mudança radical de paradigma, adeus beijos e
abraços, vamos para um paradigma em que estaremos perto, sim, à distância de um
clique, e em simultâneo estaremos longe, muito longe, inodoros, a dois metros de distância, na
melhor das hipóteses, e sempre desconfiados, sempre com medo do contacto físico,
de estarmos – verdadeiramente – uns com
os outros.
Wednesday, July 8, 2020
Repensar o covid
Uma das coisas de que recentemente me arrependo é de ter colocado quase todos os meus ovos no mesmo cesto. De certo modo, fui um misto de maria vai com as outras com aposta forte no turismo porque tens uma infraestrutura fora de série, o que era e continua a ser verdadeiro.
Ainda assim, a minha visão era e é de longo prazo; sim, apostar no turismo, mas não no turismo de massas, apostar num turismo diferenciado e ter o cuidado de guardar alguns dos ovos à parte, caso as coisas corressem mal. Fiz essa aposta numa altura em que tudo fazia crer que o turismo, o de qualidade e o de massas, era uma fonte de riqueza ready and more than available, para usar a língua dessa moda.
No entanto, a realidade que muda todos os dias leva-me a repensar as minhas apostas. Com isto o que quero dizer é que considero apostar na diversificação e rapidamente. Felizmente, ainda tenho alguns outros recursos para além do turismo, por exemplo converter os terrenos aráveis para vinhas, a terra é excelente, o clima melhor ainda, acrescentar umas couves e umas batatas, entre outras leguminosas, comida da boa, da que não polui. Por exemplo, reconverter espaço livre para me tornar energeticamente autossuficiente, tenho bastante sol, água em barda, e vento nem falar, usar as tais das tecnologias verdes. Por exemplo, caraças, até tenho uns spots onde poderia plantar liamba da boa, para fins medicinais. E tenho outras qualidades a ter em conta. Possuo educação, humanística, técnica, formal e vivo num país do primeiro mundo, com altos níveis de educação técnico-formal, bons sistemas educativos. Por isso digo, só não saímos bem desta merda se não quisermos e é agora que o temos de fazer.
Tuesday, July 7, 2020
Sunday, July 5, 2020
I like steak and pommes frites
What? Vacations in a totally sanitized paradise? No noise, colour and flowers all over, no bugs, no people, just nature, water all around, incredible beaches at walking distance with no one else about? Just paradise? Just like that? Plus free net, satellite tv and all the amenities you got in your filthy gloomy cities? I'm also fond of that, actually I love it, it's paradise, simple as that. So, you're welcome, but It's gonna cost you; paradises, like mine, they don't come cheap, so fuck you or pay me, you feel me?
Thursday, July 2, 2020
Com o covid às portas
Salientar o amor, agora que o covid está às portas, não é fácil. Como salientar o amor quando todos temos medo uns dos outros, até dos que nos são mais próximos? Quero apaixonar-me pela vida mas não devo aproximar-me de seres humanos. E Porquê? Que revolta, que vontade de mandar tudo passear, de atirar com a máscara ao chão. Vai correr bem, certamente, já nem sei no que hei -de acreditar. Mas Quando irá correr bem? Quando poderei beijar as minhas sobrinhas com todo o afecto que me esmaga? Estou farto disto e até sou bastante resistente, um sobrevivente de batalhas antigas, nem sequer gosto de contactos sociais, odeio tudo o que sejam ajuntamentos. Mas, a minha mãe, o meu pai, o meu irmão, não lhes poder tocar? Não os poder beijar?
Monday, June 29, 2020
Saturday, June 27, 2020
S de saudade
A S. hoje e depois fica com a A. Saíram há 10 minutos. Já estou com um calafrio. A S. tem estado comigo todos os dias quase desde que nasceu. Ela segue-me para todo o lado, dorme aos meus pés, às vezes irrita-me, por exemplo quando estou ao computador, mas custou-me ver a A. levá-la, habituei-me à presença da S., habituei-me a tomar conta dela, a brincar com ela. Mas, tinha de ser, logística e tal, é melhor para a S. ficar uns dias com a A. É só por uns dias. Mesmo assim, custa-me, merda para isto, já sinto falta da S.
Thursday, June 25, 2020
Apontamento lisboeta
Quinta, feira, 25 de Junho, Lisboa. Tive de vir aqui. Problemas, melhor assuntos, que só na capital consigo resolver. Já cá estou desde segunda-feira. Fora os meus assuntos, não saio de casa. O que observo da janela ou nas escassas deslocações de automóvel não augura nada de bom. A minha rua tem vários restaurantes e cafés. Durante o dia, mormente à hora de almoço, é um regabofe. Máscaras? Parece uma coisa do passado, devo ser eu e um ou outro estarola, o resto da malta está a deixar a máscara em casa. Distanciamento social nos cafés? Não me façam rir, os autóctones vão socializar para os cafés e distanciamento social, pois sim, também não existe, parece que não conseguem falar sem ser em cima uns dos outros. Eu não entro num café desde meados de Fevereiro. E antes desta merda era homenzinho para todos os dias tomar café fora de casa. Agora não. E depois, depois há mais, há lojas de roupa, há mercearias, há papelarias e mais não sei o quê. Não é que seja tudo ao molhe e fé em deus, como dantes, mas não se anda longe. Em suma, a malta não está a cumprir e não há fiscalização, não existe. Vai dar merda. É certinho. Não tarda muito vou para cima outra vez mas, então, terei de receber "turistas". Os meus protocolos estão estudados e definidos e pretendo mantê-los rígidos. Não vou ter contacto pessoal com os clientes, ainda assim, depois a higienização e a limpeza é que vai ser o belo e o bonito. Fazer o quê? Estou, em larga medida, como o Nunes do café em frente: tenho de estar de portas abertas, com o prejuízo que já tive, tenho de arriscar, ninguém vive do ar e dizem que até existe uma coisa totalmente artificial chamada dinheiro.
Wednesday, June 17, 2020
Monday, June 15, 2020
Benza-te covid
Que se quilhe a taça, agora, trata-se de minimizar riscos, ser realista, poupar cada cêntimo, investir forte em higienização, cobrar alto todo e qualquer serviço, oferecer segurança, tranquilidade, conforto, beleza e manter a calma do pessoal encarregue do serviço, porque, no fim, no fim vamos todos parar ao mesmo lugar, uns mais cedo, outros mais tarde e para já convém-nos mais a segunda opção. Vai correr bem, vamos a um terço ou a um quarto do que faríamos pré-covid; é certo que é desastroso, mas há as reservas em espécie, o guito suado e devidamente aplicado em moeda sonante, da que não desvaloriza, o guito que permite esta minha autoconfiança, quem sabe vã. Há, também, o tempo, o outro e não, não falo do clima, há o tempo, se não houver segunda vaga, o tempo corre definitivamente a nosso favor. Em sabendo e em deus querendo, faremos fifty/fifty já em 2021 e... Depois, 2022 será o ano da desforra.
Sunday, June 14, 2020
Entrar numa casa potencialmente infectada
E bem, já saíram os primeiros. Fui abrir tudo, para arejar. Amanhã, virá a bomboca, com lixívia, luvas, calçado especial e tal. Pelo menos não chove. Isto é realmente um filme horrível. Era um casal, e simpáticos, por cima. Pareciam de boa saúde. Eu também pareço, mas não sabemos nada sobre isto a não ser que diz que as superfícies se dividem entre as de alto e as de baixo risco. Enfim, agora, carradas de material e uma casa de quarentena, aberta de par em par até amanhã. E amanhã entrar. Provavelmente, não há nada lá que me possa afectar mas, não vou poder esperar 72 horas e está a custar-me a ideia. A merda das superfícies e da resiliência do bicho. Foda-se. Algo que demorava duas horas há um ano vai demorar 48 agora e já vou cheio de sorte. Tem que ser feito. Porra, o ano passado já estava, agora é isto. E vontade de meter mãos à obra não me falta, balde, esfregona, panos, produtos e o camandro. Mas, vou esperar e perder dinheiro enquanto espero. O dinheiro não é tudo. Vai ser, já está a ser, um ano para esquecer, tudo isto é miserável, já me pergunto se não seria melhor ser ou ter sido infectado, ao menos se assim fosse não andava aqui armado em princesinha amedrontada.
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