Pensar que um tipo como eu, quase aos cinquenta, estaria hoje a reler autores tidos pelo paradigma vigente como proscritos, autores quase impossíveis de encontrar, autores que lia nos meus vintes, autores como Marx, como Bakunin, como Proudhon. Que reencontro este de ver os sublinhados e as notas que fiz há trinta anos no capítulo sobre as mais valias do Marx em O Capital, os pontos de interrogação no Prólogo de Filosofia da Miséria de Proudhom e as máximas de Bakunin traduzidas do russo para o francês, l'uniformité c'est la mort, la diversité c'est la vie. Realmente, é estranho, mas também é salutar e ajuda a compreender o ponto a que chegámos e o porquê de nos encontrarmos num beco sem saída: é porque ninguém lê esses tipos, porque gostamos mais de Friedman, de Fukuyama e dos seus apêndices, desses há para aí livros em barda e até consta que são best-sellers. Enfim, não há a revolução, a revolução é impossível, mas pelo menos há flores, valha-me isso.








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