Friday, May 22, 2020

Um spa no telhado


«Querido Lúcio Ferro, desculpe o "querido", mas apeteceu-me, leio-o um tanto pateta, um tanto perdido e apeteceu-me tratá-lo por querido. Pronto, ou prontes, antes de começar a espingardar no correio de volta, inicio de novo: Querido Lúcio, melhor assim? Deixa-se de nostalgias, é o que lhe quero dizer. Deixe lá essas coisas do passado e das dificuldades, estamos quase todos a passar por isso, como saberá. Ademais, há que dar tempo ao presente. Ao agora. Há que dar tempo ao lazer de que podemos desfrutar no presente, o lazer é essencial para o equilíbrio do ser humano, é preciso dar tempo para descansar, para apreciar, para pensar, para... Muitas outras coisas. E é curioso, um dos seus discursos anteriores estava pejado de referências à Linha de Sintra e eu, eu ainda ontem de manhã me deu um repente, desmarquei tudo o que tinha para fazer, reuniões, video calls, pus-me em em modo de away, peguei na carteira, deixei de propósito o telemóvel em casa, enfiei-me no meu automóvel, que já bem que precisava de rodar e fui passar o dia na Linha, via Santo Amaro, Parede, Cascais, Guincho. Só voltei já era noite. Não vi quase ninguém, tão bom não termos turistas. Faz tão bem sair assim, por vezes, mudar de ambiente, largar o teletrabalho, entrar num ritmo diverso, apreciar o tempo por si mesmo. E agora, a pergunta incontornável: Would you like to meet during the weekend? Vai estar sol, tenho um spa no telhado, espumante no frigorífico e não está cá mais ninguém...»

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