Tocar-te e não te poder
tocar. Sentir-te e não te poder sentir. Ver-te e não te poder ver. Ouvir-te e
não te poder escutar. A ausência fere as palavras. E as palavras acentuam a
ausência. A alquimia da voz faz-se alquimia do corpo. À falta de melhor. A
alquimia do corpo faz-se alquimia da voz. E o sentido desta carta perde-se. Num
devaneio risível. Numa escrita ridícula. É uma carta a um amor. E é o meu amor
numa carta. São palavras sem graça. É a graça sem palavras… Que é o que sobra. E
o que sobra é do tamanho do Universo. E eu não o sei escrever. Não sei como se escrever
infinito. O infinito do que quero dizer é vasto demais para palavras. O que
sinto não se diz – sente-se. E o que se sente é dito sem precisar de o ser. Porque
o que sinto são as minhas mãos tuas e as tuas mãos minhas. São os pés entrelaçados. O que sinto só as nossas
mãos, os nossos pés, o nosso estar em nós, à sós, o pode dizer.

No comments:
Post a Comment