(…) Tentas-me. Muito.
Vacilo. Vacilei. Mas decidi-me. Hoje não posso. É impossível, seria uma
transgressão total. E não posso também porque terei cá em casa um amigo, direto
da quarentena. O que coloca o meu comentário ou naco de informação no “vou mas
volto” com o nome dele, de amigo do gatinho, de blackbird sem asa. É o meu
melhor amigo. Consta de textos meus. Como este. A cena do museu de Arte Antiga
no antes foi com ele que se passou. É uma pessoa muito especial. Mesmo. Amigo
está com amigo. Até porque amanhã ele irá ter com uma paixão e assim dorme em
Lisboa e não corre mais riscos. A nós também nos vai fazer bem a separação.
Alimentar o desejo. A tesão. A vontade. Eu tenho. Muita. Mexes comigo. Sinto-me
orgulhoso de te conhecer. De ter sentido aquilo que és. De ter pensado que
serias alguém a conhecer. E de me ter dedicado a isso. Não coloquei comentários
no teu blogue à toa. Coloquei para ser seguido. Para que me seguisses. E assim
o fizeste. Sei que há quem o faça, claro, pelos motivos mais fúteis, todos
gostamos de ser seguidos e lidos e faz bem ao ego. Mas eu tinha já segundas
intenções em relação ti, andava a estudar-te há meses. Pareceste-me
interessante. E és. Ontem nem me lembrei de sexo. Poderia tê-lo feito. Mas não
tive essa necessidade. Estava cansado. Com sono. Ainda que na maioria das
vezes, no antes, ainda que cansado e com sono cama ansiasse. Mas não o fiz
porque provavelmente sentia-me preenchido. Satisfeito. Orgasmos... são bons
sim. Mas não são tudo. Como te disse: tive o que necessitava, vi em ti carinho,
vi beijos, vi o toque que não pudemos dar. Ainda assim, chegaste, viste e
venceste. E vencemos os dois. Foi bom. E é bom saber-te a querer-me. Como te
quero também. Mas esta dia é para a amizade. Ainda que eu possa estar online.
Quero-te, sou teu e és minha. (…)

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